O Leopardo

Olá a todos,

Hoje trago a resenha de um clássico italiano que me agradou muito, segue minha opinião sobre O Leopardo:

Título: O Leopardo
Autor: Giuseppe Tomasi de Lampedusa
Editora: Companhia das Letras (cortesia)
Páginas: 384
Lançamento: 2017

Sinopse: Itália, anos 1860, Risorgimento. Os fragmentados estados italianos estavam em um tormentoso processo de unificação, e o estabelecimento de uma nova ordem se mostrava cada vez mais pungente. Ambientado num universo intensamente melancólico e sensual e repleto de elementos de ironia e humor, 'O Leopardo' acompanha a história de Dom Fabrizio Salina e de sua decadente família aristocrática siciliana — cujo brasão carrega inscrito o Leopardo que dá nome ao livro —, ameaçados pelas forças revolucionárias e democráticas durante os embates dessa transição. Nesse intrincado contexto, Salina precisa decidir como encarar as novas mudanças que se impõem tanto em sua vida pública como privada. Único romance do escritor italiano, O Leopardo foi recusado por duas editoras e só veio a ser publicado um ano depois da morte de Lampedusa, em 1958, quando ganhou atenção da crítica e transformou-se num cultuado best-seller na Itália. Esta edição tem tradução e posfácio de Maurício Santana Dias e inclui textos do apêndice de Gioacchino Lanza Tomasi.
Resenha

Publicado postumamente, O Leopardo é um clássico italiano que foi recentemente reeditado pela Companhia das Letras. Príncipe de Salina, Dom Fabrizio, não é o tão "príncipe" como esperamos que ele seja, pelo contrário, O Príncipe tem um casamento afundado, 7 filhos que são indiferentes para ele e uma Itália que já não reconhece príncipes e brasões. Narrando acontecimentos entre 1860 e 1910, o romance siciliano é permeado por um sentimento de derrota por parte do Príncipe e também pelo fervor do Risorgimento; a unificação temida pelo príncipe.

(...) essa riqueza, que havia engendrado o próprio fim, era composta apenas de óleos de essência, e como os óleos de essência, evaporava depressa.

Ao perceber que os negócios já não vão também e tendo seu querido sobrinho Tancredi lutando junto com os tricolores (revolucionários), Dom Fabrizio decide deslocar toda a família para outra propriedade de Salina, que fica em Donnafugata. O ponto alto da história se dá quando Angelica, filha de um influente burguês de Donnafugata, é cortejada por Tancredi, que decide pedir a mão dela em casamento. Para Dom Fabrizio, que esperava que o sobrinho se casasse com algumas de suas filhas, foi um tremendo "susto".

Acredito que, além de mim, outros leitores também acharam um certo humor no romance de Tancredi e Angelica, muito mais que uma simples toque de leveza, o casal marca as mudanças trazidas com a revolução para a península. Outro personagem super importante é o cachorro, Bendico, que segundo o autor do livro, é chave para muitos mistérios do livro.

A Itália havia nascido naquela noite circunspecta em Donnafugata, nascido justamente ali, naquele povoado esquecido de Napóles.

O dom de Giuseppe de Lampedusa de narrar, com um ritmo incrível e um belo jogo de palavras, encanta o leitor logo na primeira página. A maestria do autor em atribuir características e sentimentos de forma intrínseca é um detalhe a parte. Todos os eventos do livro são narrados em pessoa e passam com um piscar de olhos, é uma leitura leve e divertida.

De certa forma inspirado na história do autor, que era filho do príncipe Lampedusa, Giuseppe só chegou a ter sucesso com O Leopardo postumamente, quando o livro foi publicado pela editora italiana Feltrinelli. No final dessa incrível edição da Cia. , há uma espécie de biografia do autor, escrito por um sobrinho dele.

A valsa cujas notas atravessavam o ar quente lhe parecia apenas uma estilização daquela incessante passagem dos ventos que arpejam o próprio luto sobre as superfícies sedentas, ontem, hoje, amanhã, sempre, sempre, sempre. 

A edição da Companhia das Letras está ótima, além de capa dura, a tradução também é direto do italiano. Diagramação e acabamento também estão á altura da edição.
Recomendo O Leeopardo para os leitores de Umberto Eco e Patrick Modiano. Com um excelente ritmo e jogo de palavras, um príncipe conservador em decadência é apresentado ao leitor, mas lembre-se, o cachorro aqui pode ser o centro de tudo.


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