Criaturas e Criadores

Oiee pessoas \0/
Já faz um tempinho que não posto nada aqui no blog, mas tenho um motivo: eu estava tentando finalizar um livro, e não iria parar de lê-lo enquanto ele não acabasse. Era meio que uma questão de honra, só que não... haha' teimosia mesmo. Apresento-lhes então, Criaturas e Criadores, livro de contos publicados pela Galera Record há poucos meses \0/

Título: Criaturas & Criadores
Autores: Raphael Draccon, Carolina Munhóz, Frini Georgakopoulos e Raphael Montes
Editora: Galera Record (cortesia)
Páginas: 248
Edição: 1
Lançamento: 2017
Sinopse: Clássicos do medo reinventados por quatro escritores brasileiros, para noites de sustos, terror e gritos. Quatro dos mais populares autores contemporâneos brasileiros, Raphael Draccon, Carolina Munhoz, Frini Georgakopoulos e Raphael Montes se uniram para reinventar os contos de terror clássicos. Frankenstein vive, e está numa favela do Rio. Rumores indicam que Drácula pode ser o dono de uma nova e badalada boate. Numa faculdade de artes, há uma lenda que diz que um fantasma ajuda belas jovens a cantar num teatro abandonado. Um mistério ronda a vida de um dentista e pai de família que está prestes a descobrir seu lado mais monstruoso. Quatro clássicos do medo reinventados por quatro escritores brasileiros para noites de sustos, terror e gritos.

Resenha

Criaturas & Criadores reúne quatro contos de quatro autores contemporâneos brasileiros, sendo que cada conto foi inspirado num certo clássico de terror; o primeiro, denominado A criatura, de Raphael Draccon, traz a história de uma jornalista/youtuber que está entrevistando um médico procurado pela polícia, e nessa entrevista ele revela como foi que um grupo da Polícia Especial encontrou com uma espécie de Frankestein numa favela do Rio de Janeiro.

De início eu não tinha gostado muito do conto, achei o começo um pouco fraco e as coisas só foram esquentar (e eu só fui ficar fissurada na história) lá pelo final. Mas não nego que é interessante a maneira como o autor colocou um personagem como Frankestein numa favela do Rio, e mais interessante ainda é o final, que me surpreendeu e me deixou de queixo caído. Foi uma história que me agradou num todo, mas não chega a ser minha favorita.

De um lado um homem fascinado com o fruto de sua própria ambição. Do outro, uma mulher aterrorizada pelo mesmo motivo. – página 46

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No segundo conto, denominado Conde de Ville, conhecemos uma contista (Elisabeth) que está passando por um período difícil: ela não consegue encontrar inspiração para escrever seus contos sombrios. Ela acaba então acompanhando seu namorado, Jonathas, em seu primeiro dia de trabalho numa boate que está dando o que falar, mais pelo fato de ninguém saber quem é o dono (só o chamam de V) quanto por ser diferente. Junto com eles vai Lúcia, amiga de Elis.

A sinopse já dá a entender que o conto vai ser a respeito de um vampiro, então eu já li um pouco receosa porque imaginei mais ou menos como tudo poderia acontecer. Infelizmente, eu acertei os acontecimentos. V é o típico personagem misterioso que surge de repente e que consegue a atenção de todo mundo, e, claro, ele acaba encantado pela protagonista. Quantos livros já não possuem essa receita? Eu acabei não gostando de nenhum personagem, achei todos muito superficiais (mesmo sendo um conto, eu esperava personagens mais desenvolvidos e originais). A única coisa que me surpreendeu e me deixou com um sorrisinho foi o final, que é a única coisa que eu não posso contar...haha’

Estou mesmo prestes a bater na porta de um dos lugares mais sinistros que já vi. – página 78

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Eu ainda não conhecia a história de O fantasma da Ópera, então não sabia bem o que esperar do conto da Frini Georgakopoulos, denominado Por trás da máscara, mas vendo que ele era maior do que os outros contos, imaginei que havia algo de especial nele. Temos aqui a jovem Christine, que estuda no Instituto de Artes e Literatura e que, após a morte do pai, não consegue reencontrar a si mesma ou sua voz. Quando recebe um ultimato de que pode perder tudo caso não melhore, ela acaba aceitando a sugestão de uma amiga para cantar no Teatro Ópera, abandonado desde que um incêndio ocorrera. Aparentemente, naquele teatro havia um fantasma que poderia ajuda-la, caso ele quisesse.

Obviamente, o fantasma acaba ajudando-a, mas pode ser que ele esteja apenas usando uma máscara para fingir ser algo que não é, e fragilizada do modo como está, Christine acaba não só caindo na lábia do tal fantasma, como também arrisca muito para querer viver um amor que ela nem mesmo tem certeza de que existe.
Não vou negar, a história é interessante; mas eu só fui ficar animada lá nas últimas páginas, quando as coisas realmente começam a acontecer e o meu desejo de estapear a Chris diminuiu um pouco. Mas só um pouco. Antes disso, foi quase um martírio ver a maneira como nossa protagonista agia perto do tal fantasma, e o pior é que, apesar de ser um conto, eu o achei cansativo. Não foi ruim, mas também não foi esplêndido.

Cantei para um fantasma, mas foi o Anjo da Música quem me ouviu. – página 118
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Eu estava ansiosa para ler o último conto, mas quando vi que ele era o menor de todos (pouco mais de trinta páginas), fiquei um pouco receosa. Mas, como sempre, Raphael Montes me surpreendeu, e seu conto foi, de longe, o mais assustador (não a ponto de você morrer de medo ou ficar com medo de dormir à noite) e mais bem escrito de todos. De longe, o meu favorito.

Em O sorriso do homem mau, conhecemos Pablo, um dentista que tem um emprego que adora, uma esposa e filhas que ama, e uma vida com a qual sempre sonhou. Mas ele anda tendo dores de cabeça horríveis, e não bastasse isso, também anda fazendo coisas das quais se esquece depois. Quando seu sobrinho, Eric, desaparece, as coisas desandam ainda mais, e Pablo acaba percebendo que não é tão bom quanto sempre achou que fosse.
Não seja preguiçoso e faça as contas! Hoje faz vinte anos que estamos aqui juntos. Só eu e você, amorzinho. – página 212
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Num geral, eu gostei do livro, apesar de que somente um conto conseguiu me envolver completamente. Achei que as quatro histórias são interessantes, mas três delas deixaram a desejar. Contudo, realmente espero que Raphael Montes decida transformar O sorriso do homem mau em livro...haha gostei da maneira como as coisas aconteceram, e seria ainda melhor se a história fosse maior e com mais acontecimentos.

A editora está de parabéns pela edição incrivelmente linda dessa obra, não só pela capa roxa e dura com relevos em dourado, como também pela introdução de cada conto e pela diagramação interior em si. Ficou realmente muito linda! Criaturas e Criadores não é um livro que eu recomendaria para fãs de terror, justamente por não conter histórias assustadoras, mas para quem gosta de histórias inspiradas em clássicos, é uma boa.

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