Mestre das Chamas

Oiee pessoas \0/
Se tem um gênero que eu gosto muito, mas não leio tanto, é thriller. Não sei o motivo, acho que talvez eu goste mais de histórias onde eu sei que o final vai ser feliz, do que as que possam me surpreender com um final triste. De qualquer maneira, é um gênero que me chama muito a atenção, e quando vi a capa (e li a sinopse) de Mestre das Chamas, soube que precisava conhecer.

Título: Mestre das chamas
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro (cortesia)
Páginas: 592
Edição: 1
Lançamento: 2017
Sinopse: Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas. Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto. O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus.
Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera. Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.

Resenha

Ninguém sabe ao certo como a pandemia das Escamas de Dragão começou, tudo o que sabem é que, se listras douradas e pretas aparecem no seu corpo, você está infectado. E se está infectado, pegar fogo e morrer queimado é só uma questão de tempo.
Harper é uma enfermeira escolar que acabou se tornando voluntária num hospital que trata os infectados pela doença...Ou melhor, os abriga até que entrem em combustão, já que ninguém sabe como curar a tal doença. Quando o hospital pega fogo e Harper encontra as temidas listras em seu corpo, parece que tudo está perdido, principalmente porque Jakob, seu marido, está determinado a matá-la (e a si mesmo) para evitar que contaminem outras pessoas. Mas Harper está grávida, e não vai deixar que ninguém machuque seu bebê.

O mundo inteiro pode se incendiar à nossa volta. – disse Jakob -  Eu vou te abraçar até o fim. Você não vai ter como fugir de mim. – página 38

Salva pelo Bombeiro (que não é um bombeiro de verdade, mas se veste como um) Harper vai parar numa espécie de comunidade dos infectados, onde todos ajudam a todos e vivem em harmonia. O mais estranho é que lá ninguém entra em combustão, ninguém está em pânico esperando a morte iminente, e ninguém vê a doença como uma doença. Lá, por mais incrível que pareça as pessoas conseguem controlar o “dom” de maneira a atingirem a felicidade plena, o que chamam de entrar n’o Brilho.

De início Harper fica receosa a respeito da Colônia Wyndham, até porque o pessoal de lá mais parece fazer parte de um culto maluco do que qualquer outra coisa, mas em momentos como aquele (com o mundo inteiro literalmente voltando às cinzas), não era de se espantar que as pessoas recorressem à fé em pessoas que acreditavam ser puras e perfeitas. E além do mais, o próprio Bombeiro fazia parte daquela comunidade -  ele morava um pouco afastado do restante da população, mas pode-se dizer que morava junto à colônia. – então ela tinha mais motivos ainda para ficar ali.

Eu estava bastante animada para ler este livro. Não é novidade que livros apocalípticos me chamam a atenção, e com este não foi diferente. Ainda mais porque eu tinha achado a premissa bem original, e estava curiosa para ler alguma coisa do Joe Hill (cheguei a ler outro livro dele alguns anos atrás, mas desconsidero porque era praticamente uma criança e achei muito forte...haha’). Confesso que achei a escrita do autor um pouco cansativa, tanto que eu precisei fazer várias pausas ao longo da leitura, para que não ficasse maçante demais. Mas a história é realmente muito original!

Demorei para gostar dos personagens principais (Harper e John, o tal Bombeiro – não entendi porque, muitas vezes, o autor o chamava de Bombeiro, se já sabíamos sua identidade e ele nem era um bombeiro de verdade, mas ok), mas não nego que são personagens bem construídos e desenvolvidos, e Harper, especialmente, é muito corajosa e determinada. A maneira como ela não abaixa a cabeça para ninguém e mantém-se firme até nos momentos em que a maioria das pessoas cairia me fez querer aplaudi-la, e numa determinada parte do livro eu realmente cheguei a achar que ela era a única personagem pela qual valia torcer. John não é tão ruim, mas para um cara que consegue controlar as chamas e se autodenomina “Bombeiro” – com letra maiúscula – achei que ele podia ser mais badass.

Todo dia é 11 de setembro. Como é possível viver quando todo dia é 11 de setembro? – página 38

O final me deixou com raiva de início, mas como uma boa leitora sofredora (quem nunca?) superei meus dramas e admiti que o autor foi um mestre no desfecho. Demorei para finalmente chegar lá (parecia que o livro não acabava nunca, de tanta coisa que acontecia – sério, parecia que eu tinha visto um filme ou duas temporadas de uma série), mas quando cheguei, quis mais!
Além de abordar um iminente fim do mundo, Mestre das chamas também aborda outras coisas que, apesar de eu ter achado muito interessante, me irritaram a ponto de eu querer jogar o livro pela janela – o fanatismo religioso, a intolerância, violência, amizade e o amor familiar.

Gostei bastante de Mestre das chamas, e mal posso esperar para vê-lo nas telonas. Se o roteiro for pelo menos um pouco parecido com a história escrita pelo Sr. Hill, vamos nos tremer todos nas cenas de ação e torcer muito nas outras cenas. Apesar de ter sido um livro um pouco cansativo em diversos momentos, é uma história incrível e muito bem desenvolvida, e tenho certeza de que quem gosta de uma boa história “apocalíptica” vai adorar. Outra coisa que gostei foi da mudança do título na tradução (o original é The Fireman – O Bombeiro, que, convenhamos, daria a entender que era um livro erótico, caso a capa não fosse essa), e a capa também ficou muito bonita e pertinente com a história. Inclusive me fez duvidar se esse Mestre das Chamas seria mesmo O Bombeiro. – quem leu o livro talvez entenda meu dilema. – E a editora fez um bom trabalho na diagramação interna do livro, apesar de ter arranhado um pouco na revisão.

Num geral, foi um livro que me rendeu uma boa leitura e uma boa história, e estou animada para conhecer outras histórias do autor. Mestre das chamas não é bem um livro de terror, mas a maioria das cenas de ação são bem pesadas, algumas inclusive de embrulhar o estômago, então tenha em mente que vai se irritar, vai sentir nojo, seu coração vai se apertar e você vai querer entrar no livro e consertar tudo... Mas vale a pena.

A luz que produzimos juntos revela tudo que já foi perdido para a escuridão. – página 118


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