Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa

Oiee pessoas \0/
Quem aí gosta de conto de fadas? Eu pessoalmente gosto muito, e quando vi sobre esse livro da editora Biruta, que traz contos para se pensar no papel da mulher nas histórias, fiquei mega curiosa.

Título: Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa
Autoras: Helena Gomes e Geni Souza
Editora: Biruta (cortesia)
Páginas: 132
Edição: 1
Lançamento: 2017
Coleção: Contos e Contadoras
Sinopse: Vilã ou heroína? Bruxa, princesa, camponesa, conselheira ou madrasta? Ou todas elas? Nos contos de fadas, as personagens femininas costumam ser entregues em casamento a quem mal conhecem, sofrem muito, não têm direito a dar opinião nem a escolher o seu futuro. E tudo isso só porque nasceram mulheres.
"Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa" nos faz refletir sobre essas questões e também nos mostra como os homens podem ser aliados no processo de mudanças. São histórias que divertem, emocionam e ainda nos fazem ver que há muito a ser feito para que as mulheres também sejam donas dos próprios finais felizes.

Resenha

Qual o papel feminino nos contos de fadas? Seria apenas sentar-se e esperar por um príncipe encantado? Ou ser vendida pela família, maltratada?
Nesse livro, as autoras trazem oito contos inspirados nos clássicos mundiais de contos de fadas, e cada conto traz uma premissa diferente do anterior, com personagens femininas que desempenham papeis que vão desde a heroína até a vilã.

No primeiro conto, denominado A irmã do conde, vemos uma jovem que desde criança, é feita prisioneira do próprio irmão, para que não possa reivindicar sua herança. Ao longo da pequena história, vemos quão solitária e triste a menina é, até o momento em que conhece o rei, e muda completamente o futuro do reino. O segundo conto, A boneca mágica, me lembrou um pouco de Cinderella; aqui, a menina é maltratada pela madrasta e suas duas filhas, mas numa reviravolta surpreendente, a boneca mágica que dá título ao conto transforma o final da história de uma maneira que me deixou de queixo caído.

Essa era a esperança que a mantinha viva. E a única, pois havia muito desistira de conhecer a liberdade. Como único homem da família, o conde tinha pleno poder sobre a irmã. Era o costume. – página 24

O terceiro conto, um dos meus favoritos, traz a história de um rei que precisa decidir-se entre seus três filhos e escolher um herdeiro. Ele lança o desafio de que os três deveriam encontrar uma esposa em três dias e, para contrariar o pai, o caçula aparece com uma rã em mãos. Acontece que o rei não aceita a brincadeira, e o menino se vê casado com uma rã que, surpreendentemente, consegue falar e até mesmo criar roupas luxuosas e comida.
O que eu mais gostei neste conto foi o fato de que os personagens principais (o príncipe caçula e a rã) passam a conviver entre si e acabam apreciando, aos poucos, a companhia um do outro, e o final não poderia ter sido melhor, apesar de um pouco previsível.

A esposa do corvo, quarto conto, traz uma história sobre amor e violência doméstica, onde um príncipe ruim e seus amigos foram transformados em pássaros por uma bruxa, mas, ainda assim, ele insiste em fazer maldades. Eu não sabia bem o que iria acontecer nesse conto, foi um dos que mais mexeram comigo, e torcia muito para que a jovem esposa do tal príncipe percebesse que o que sentia por ele não podia ser amor. Não quando ele a tratava tão mal.

Se o uso daqueles sapatos de ferro tinha lhe ensinado algo, era a ser uma sobrevivente. E ela sobreviveria àquele amor doentio. Iria ao encontro das irmãs, recuperaria sua antiga vida e então... Reaprenderia a ser feliz. – página 96

O castelo do grifo e O poço das fadas possuem temas bem importantes por trás das histórias, mas acabei não gostando tanto dos dois contos. Não tanto quanto gostei de A princesa rã. Mas fui reconquistada quando li A criança perdida (o último conto), que me fez sorrir um pouco e perceber que não poderia ter sido outro conto a fechar o livro.

Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é um livro de contos muito interessante, principalmente para quem, como eu, até então não tinha parado para pensar nos papeis desempenhados pelas mulheres nos contos de fadas. Alguns contos chegam a dar um pouquinho de raiva, principalmente nos que as jovens eram feitas prisioneiras ou tinham que agir de maneira submissa e obediente. Mas que as autoras deram um show com os textos, isso eu não posso negar.

“Quem precisa de príncipe quando se tem coragem de lutar por aquilo que se quer?” – página 98

A editora Biruta fez um trabalho incrível com a diagramação do livro, que contém ilustrações de Alexandre Camanho e tem uma edição muito linda e delicada.
Agora estou curiosa para ler os outros livros da coleção, Dragões, maçãs e uma pitada de cafuné e Reis, moscas e um gole de morte. Cada livro da coleção Contos e Contadoras traz temas específicos para se pensar, o que é MUITO interessante.


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