Dias perfeitos

Oiee pessoas \0/
Ontem comecei a ler o livro Dias perfeitos, do Raphael Montes (autor de Jantar Secreto e Suicidas), e fiquei tão envolvida na história que, quando percebi, o livro já tinha acabado. Até queria fazer alguma postagem sobre o dia das crianças, mas acho que posso pensar numa tag bem bacana mais tarde :)
Com vocês, Dias Perfeitos \0/
P.S.: Tem sorteio de Suicidas rolando aqui no blog ♥

Título: Dias perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras (cortesia)
Páginas: 280
Edição: 1
Lançamento: 2014

Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável.
Resenha

Não era o invasor, mas o invadido; não queria só desvendar, mas ser desvendado. Ele amava Clarice, admitiu. Precisava ser amado. – página 30

Téo é um estudante de medicina que além de cuidar da mãe paraplégica, divide seu tempo entre odiar o restante da humanidade e conversar (e imaginar situações) com sua “melhor amiga”, um cadáver da aula de anatomia que ele denominou Gertrudes. Sua vida segue uma rotina normal e entediante até que ele conhece Clarice e passa a se sentir obsessivamente atraído por ela. Quando a moça demonstra também querer ficar com ele (pelo menos na cabeça de Téo, que é péssimo em interpretar coisas), ele sente que sua vida está começando a mudar.

Mas Clarice não sabe o que é bom para ela, é uma moça que fuma, bebe e beija garotas (o que para ele é uma coisa horrível), e quando ela diz que não quer nada com ele, Téo a sequestra. Aproveitando que Clarice já planejava uma viagem para Teresópolis, onde havia alugado um chalé (visando escrever um roteiro), ele a leva até lá, e a viagem não para por aí.

Clarice achou interessante que ele mantivesse amizade com uma mulher bem mais velha e disse que queria conhece-la. Téo concordou e sorriu. Disse que sua amiga também adoraria um encontro. Estava ligeiramente incomodado, pois não queria estragar toda aquela expectativa contando que Gertrudes era uma defunta. – página 89

Eu estava bastante curiosa para ler esse livro, pois lembro de que tinha lido várias resenhas positivas a respeito, e como já tinha lido outros livros do Raphael e gostado, queria conhecer a história de Théo. Diferente do que acontece em Suicidas e Jantar Secreto, aqui a gente já vê de cara que tem alguma coisa errada com o protagonista, e a maneira como ele age e pensa é insuportavelmente chata, de maneira que eu o odiei com todas as minhas forças... O que me fez gostar menos do livro. Sei que o livro foi escrito para ser perturbador e tudo o mais, (assim também foram Suicidas e Jantar secreto), mas eu realmente não gostei tanto quanto imaginei que gostaria.

Téo é um rapaz que odeia tudo o que existe, desde o pobre cachorro de sua mãe até sua pobre mãe, que para ele é o maior fardo do mundo. (Ela não vê o quanto ele perde ajudando-a? Não poderia dar um tempo?). Ele odeia os colegas da faculdade, odeia pessoas “promiscuas”, odeia o namorado de Clarice que fica insistindo para vê-la quando ela claramente está “apaixonada” por Téo, odeia e melhor amiga de Clarice, odeia cigarros, odeia bebida, odeia tudo menos ele mesmo. E, aparentemente, sequestrar, amordaçar, dopar, estuprar, espancar e matar por amor é OK. Ele não vê maldade alguma no que faz, afinal, está fazendo tudo por amor a Clarice, para torna-la melhor.

O que Clarice não entendia é que tê-la por perto já era suficiente. Não precisava de carinhos nem de beijos nem de sexo. Só queria que ela fosse dele, como um livro de fotografia na mesa de centro. – página 141

Mas o que realmente me deixou besta durante a leitura foi ver que, apesar de tudo o que Téo fazia, Clarice ainda assim não o odiava o suficiente. Eu esperava bem mais ação no final e mal via a hora de Téo ter o troco ou de Clarice fazer alguma coisa para escapar daquela loucura. Mas, como vocês sabem, Raphael Montes não é bem um escritor previsível, e normalmente eu teria ficado muito feliz com isso.... Não fosse o fato de eu ter simplesmente odiado o final. Nem tanto por ficar esperando finais felizes nem nada do tipo, mas porque eu realmente odiei os personagens. Dei uma de Téo e odiei todo mundo.

Aquela atitude acionou uma cadeia de pensamentos, bons e ruins, e o levou a uma verdade cáustica: ele jamais poderia deixar Clarice partir. – página 124

Ainda assim, apesar dos ódios aqui e ali, não posso mentir: o autor soube desenvolver a história muito bem. Os personagens são bem construídos (apesar de eu ter esperado descobrir mais sobre o Téo, como problemas de infância ou algo do tipo, qualquer coisa que o tivesse levado a se tornar quem é), a história é eletrizante e a escrita do autor é envolvente. O livro é consideravelmente curto, (o que significa que eu praticamente o devorei) mas esconde uma história e tanto.

Dias perfeitos foi uma leitura diferente e que valeu a pena, mas não posso mentir e dizer que não esperava mais, porque eu esperava muito mais. Dos três livros do autor que eu li, foi o mais fraquinho e o que me decepcionou. Ainda assim, é um livro de Raphael Montes, é quem é fã desse escritor (cujas histórias são bem macabras) vai acabar gostando... pelo menos um pouco.

Clarice continuava com os insultos. A voz rouca e doce era a mesma, os trejeitos também, mas aquela era outra mulher. Não era sua Clarice. Ele avançou, precisando calá-la. Ergueu o livro e bateu violentamente na cabeça dela. Clarice contra Clarice. – página 43

 


Um comentário

  1. Definitivamente essa indicação não é para mim, não leio esse estilo de livro. Mas reconheço o valor do autor. Ele é uma dos autores nacionais que vem se destacando nesse seguimento de terror. Fico impressionada porque a maioria elogia o trabalho dele ou argumenta bem sobre os pontos de desagrado, como vc fez. Gostei de conhecer suas impressões, até porque já leu os outros livros dele e tem conhecimento de causa para comparar. Enfim parabéns pela leitura e resenha. Abração!!!

    Leituras, vida e paixões!!!

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