O urso e o rouxinol

Oiee pessoas ^^
Ontem finalizei o terceiro livro da maratona do feriado do dia 2/11, que estendi até o próximo feriado. Maas, como eu sou gananciosa, já estou preparando uma segunda maratona para este mês de Novembro, e ela começará no dia 15/11 e irá até o dia 19/11 \0/ Mais tarde publicarei os livros escolhidos lá no Instagram do blog ♥
Enquanto isso, bora mergulhar na mitologia russa com Vasya e o demônio do inverno?


Título: O urso e o rouxinol
Autora: Katherine Arden
Editora: Fábrica 231 (cortesia Rocco)
Páginas: 320
Edição: 1
Lançamento: 2017
Sinopse: O urso e o rouxinol mistura aventura, fantasia e mitologia ao acompanhar a jornada da jovem Vasya, criada, junto aos irmãos, num vilarejo próximo de uma floresta, e que cresceu ouvindo de sua ama contos e lendas sobre criaturas que vivem nas matas e que precisam receber oferendas para manter o mal adormecido em seu interior. Mas a chegada de Anna, madrasta de Vasya vinda da capital, de hábitos católicos, e de um padre ortodoxo que resolve instituir as práticas cristãs no vilarejo, provoca uma mudança na rotina da menina e abre as portas para uma terrível catástrofe. Sensível e determinada, Vasya é a única que consegue enxergar e conversar com esses seres fantásticos e torna-se a última esperança para salvar o povoado onde nasceu da destruição.
Resenha

Vasya é a mais nova dos filhos de Pyotr Vladimirovich e Marina, filha de uma mulher que muitos consideravam bruxa, tanto por sua beleza quanto pela maneira de agir. Querendo uma filha como sua mãe uma vez fora, Marina insiste na gravidez mesmo sabendo que pode morrer ao parir sua última descendente, e assim foi. Magrela e desengonçada (considerada feia também), Vasilisa nasce numa noite terrível de inverno e cresce conversando com o nada, correndo pela floresta e tornando-se amiga não só dos animais, como também dos espíritos que protegem o mundo do mal.

Mas nem todo mundo aceita Vasya da maneira como ela é. Quando ela é criança e dois de seus irmãos partem para Moscou (uma se casa e o outro se torna monge), o pai de Vasya se casa com outra mulher, Anna, que assim como Vasya, consegue ver os espíritos. Mas ela crê que são demônios e, sendo assim, cultua o Deus cristão. Como consequência, todo o domínio de Pyotr acaba se esquecendo (e sendo proibido) de cultuar os velhos deuses e espíritos da floresta, o que faz com que a proteção que esses espíritos ofereciam se torne fraca, e um demônio conhecido como Urso fique mais forte. Agora resta a Vasya encontrar aliados e lutar contra ele, ou sua família e tudo o que ela conhece estará perdido.

Eu demorei bastante para pegar esse livro para ler, e realmente não sei por que. A premissa me era muito interessante (do contrário eu não teria solicitado o livro), mas quando comecei a lê-lo, minha atenção foi fisgada por outro livro, e aí fiquei com um pouco de preguiça de ler O urso e o rouxinol. Como eu gosto muito de conhecer mitologia (ainda não conhecia a russa), insisti e peguei este livro outra vez.... Para minha surpresa, foi uma leitura surpreendente.

Eu trago o gelo. É a minha ira e o meu aviso. [...] Mas o medo não é meu, nem as fogueiras. A tempestade está vindo, e o gelo não será comparável a nada. A coragem a salvará. Se o seu povo está com medo, então está perdido. [...] Além disso, não é do meu gelo que você deveria ter medo, devushka. É das fogueiras. Diga-me, suas fogueiras queimam rápido demais? – páginas 130 e 131

Vasya é o tipo de personagem por quem a gente sente afeição já nos primeiros instantes, e como ela era a filha mais nova de um homem que parecia não amá-la muito (tanto por ela ser mulher como por ter sido a “responsável” pela morte da mulher que ele amava) e era maltratada por Anna (mulher que beirava o patético), eu gostei muito dela. Quando Vasya iniciou amizades com os espíritos que protegiam a vila eu não me segurei: torci muito por ela.

Achei interessante que no começo do livro, antes mesmo de Vasya nascer, sua ama (Dunya) conta uma história sobre o Rei do Gelo, um demônio do inverno chamado Morozko. Ao longo do livro, fui percebendo que a história de Vasya se baseia um pouco na lenda que Dunya havia contado, e quando a menina começa a ver (e tem contato) com o próprio Rei do Gelo, aí tive certeza de que a história era mais do que uma mera fantasia. Era uma riquíssima história baseada numa mitologia que eu ainda não conhecia, mas que me pareceu incrível. Outro fato interessante de se ver é que a maneira como as mulheres são tratadas no livro é sempre justificada como “é o destino das mulheres” ou “é para isso que as mulheres servem”, e não é isso o que Vasya quer. Ela quer ser livre, quer ser independente do controle patriarcal e quer lutar por isso. E, além de tudo, ela quer poder oferecer comida aos espíritos, quer ser amiga deles e quer poder ser ela mesma sem ser considerada filha do diabo ou bruxa. E esses são outros dos motivos pelos quais eu gostei MUITO dela.

No início a história se desenvolve um pouco devagar, eu demorei um pouquinho para mergulhar na história e acompanhar o ritmo da escrita da autora, mas quando as coisas começam a acontecer (resultado da aparição de um padre muito pé-no-saco que acha que as pessoas devem temer ao Deus cristão, e não amá-lo), as páginas praticamente se viram sozinhas. Gostei muito das cenas de ação (apesar de esperar que fossem um pouco mais desenvolvidas) e AMEI o final! Chegando ao fim da penúltima página eu estava me sentindo ansiosa e esperançosa de que a autora fosse colocar um certo alguém no caminho de Vasya outra vez, e felizmente, ela faz isso. De uma maneira incrível, devo acrescentar.

Aquelas pessoas idiotas e selvagens adoravam Deus durante o dia e os velhos deuses em segredo. Tentavam seguir pelas duas trilhas ao mesmo tempo e se faziam de humildes à vista do padre. Não era de se estranhar que o diabo tivesse vindo arquitetar suas artimanhas. – página 116

O urso e o rouxinol é um livro maravilhoso que traz não só uma protagonista incrível, como também a magia e fantasia que sempre acompanham uma boa mitologia, e eu estou muito feliz porque agora consigo entender a capa...haha’ Estou ansiosa para ler outros livros da Katherine e, quem sabe, conhecer mais da literatura russa e francesa (torcendo para que a autora publique mais livros sobre ambas as literaturas).


Ele vai matar a todos nós. Se ele continuar assim, todos os guardiões das profundezas da floresta desaparecerão. A tempestade virá e a terra ficará indefesa. Você não percebeu? Primeiro o medo, depois o fogo, depois a fome. Ele torna a sua gente medrosa. E então as fogueiras queimaram e agora o sol torra. [...] O rei do inverno está fraco, e seu irmão está muito próximo. – página 141

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