Quando tudo faz sentido

Oiee pessoas \0/


Eu não sei vocês, mas adoro livros com uma pegada mais dramática e que abordam temas  um tanto fortes e que são considerados tabus. Então, quando vi Quando tudo faz sentido nos lançamentos da editora Rocco, sabia que precisava lê-lo. Confesso que furei legal a fila dos não-lidos (li o livro logo depois que chegou, pois não me aguentava de curiosidade!), mas valeu muito a pena.


Título: Quando tudo faz sentido
Autora: Amy Zhang
Editora: Rocco (cortesia)
Páginas: 320
Edição: 1
Lançamento: 2017
Sinopse: Liz Emerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera.
Resenha

Para toda ação há uma reação oposta e de intensidade igual. – página 4

Liz Emerson é uma das garotas mais populares do colégio. Ela se senta na mesa dos populares, tem duas amigas lindas e igualmente populares, um namorado desejado por muitxs e é dona de uma aparência invejável. Mas poucos sabem de seus problemas com a solidão e com a bulimia, e que sua mãe é mais ausente do que presente, e que Liz perdeu a luz e a alegria de viver quando o pai faleceu. E ninguém sabe de seus planos de se suicidar.

Acontece que, por trás das belas aparências e da atitude “não me importo”, Liz era uma garota muito solitária, e não só por não poder contar totalmente com suas amigas e sua mãe. Ela tinha medo de ser ela mesma, estava sempre fingindo, e a pior parte é que ninguém percebia. Como podiam não perceber? Como ninguém via além de seu sorriso malicioso e de suas palavras cruéis? Sua tentativa de suicídio não fora descoberta, todos pensaram que um acidente de carro havia acontecido, e enquanto narra os últimos momentos de Liz (com uma contagem regressiva de seus últimos dias), a autora nos mostra sua vida de antes. Antes da morte do pai, antes da decisão. Antes de tudo desmoronar.

“Às vezes – disse ela, tão baixo que Julia ficou sem saber se era dirigido a ela. – Às vezes esqueço que estou viva.” – página 150

Preciso dizer: não é fácil gostar da Liz. Ao mesmo tempo em que eu sentia por ela, por sua depressão e sua solidão, e pelo fato de ninguém perceber o que estava acontecendo, eu a odiava por fingir tanto e por todas as coisas horríveis que fez. Liz não era uma pessoa boa, e esse foi um dos motivos que a levou ao desejo de morrer. Ela sabia que não era boa, sabia que suas ações tinham desencadeado outras e que afetara muitas vidas, provavelmente estragando a todas elas.

Gostei da forma como a autora narra a história, é rápida (terminei o livro em questão de poucas horas), leve e divertida, além de muito bem desenvolvida. Conhecemos os personagens secundários e seus problemas (especialmente os de Julia e Kennie, as melhores amigas de Liz), e também vemos como foi crescer como Liz Emerson. Ela não era uma pessoa ruim, mas crescer em meio a tantas crianças e adolescentes invejosos que não aceitavam o diferente a transformou em quem ela era, e Liz não aceitava e não conseguia gostar da pessoa em quem se tornou.

Algumas pessoas morriam porque o mundo não as merecia. Liz Emerson, por outro lado, não merecia o mundo. – página 257

Outro ponto positivo foi a narração. Eu imaginava que o livro seria narrado pela própria Liz, mas aí não conseguiríamos ver o que estava acontecendo com os outros personagens. Então imaginei que fosse ser narrada por um narrador qualquer. Quando tudo faz sentido é narrado por um narrador especial e bem diferente. Mas eu não vou falar quem...haha’
Uma coisa que me deixou completamente presa à história e doida para continuar lendo, foi o fato de a autora não contar se Liz morre ou não. Ela vai para o hospital, seu estado é crítico, mas só sabemos se ela vive ou morre nas últimas páginas, o que é um incentivo e tanto para continuar lendo, se eu já não tivesse motivos o suficiente...haha’

Tento me lembrar da última vez em que ela foi feliz, de seu último dia bom, e demoro tanto para procurar em meio às outras lembranças, as infelizes, as vazias e as perturbadas, que é fácil entender por que ela fechou os olhos e virou o volante para o lado. Porque Liz Emerson guardava tanta escuridão dentro de si, que fechar os olhos não fazia muita diferença. – página 21

Só não entendi muito bem por que o livro é considerado um romance, se não é bem o que ocorre aqui. Sim, Liam Oliver (o rapaz da sinopse) é apaixonado por Liz, e ele é a única pessoa que percebe que ela é mais do que sua aparência mostra, apesar de ela não ter sido muito gentil com ele ao longo dos anos. Mas vai entender, né?! Ainda assim, não entendi como ele a resgatou e como esse livro é considerado um romance e não drama.

Achei a capa de Quando tudo faz sentido muito linda, o azul é um tanto cintilante e as fórmulas de aceleração e etc no fundo fizeram muito sentido depois que li o livro, e a edição ficou maravilhosa, a editora Rocco caprichou, não encontrei nenhum errinho de revisão :)
Para quem gosta de livros que abordam temas como depressão, suicídio e bullying, além de problemas alimentares e de drogas, Quando tudo faz sentido é uma ótima pedida.

Quando tudo parou, ela estava deitada no ninho de vidro, olhando para o céu. – página 184


12 comentários

  1. Eu li tua rsenhas e sorrir no final.tbm não entendi porque este livro não é considerado drama e sim Romance.
    Rsrs odeie a lis em alguns momentos e em outros tentei entender certas atitudes dela
    Liam é um fofo não sei como ele pode amar a luz
    Ainda Tô tentando achar o romance rsrs
    A caso ficou maravilhosa mesmo .parabéns pela resenha

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  2. Ola
    Finalizei esse livro essa semana e achei uma leiura fantástica. De fato, não é propriamente um romance, mas os elementos se interligam bastante. E essa capa é linda mesmo, eu amei! Suas impressões refletem bem as minhas próprias, sem dúvidas,.
    Beijos, F

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  3. Oie...
    Então, somos duas! Adoro livros com uma pegada mais dramática e que abordam alguns tabus da sociedade. Ainda não conhecia esse livro, mas, pela sua resenha e pela sinopse me animei muito em realizar a leitura. Recentemente li um livro que fala sobre bulimia e fiquei impressionada com o quanto fui surpreendida... Então, acho que vou gostar desse também ;)
    Dica anotada!
    Beijos

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  4. Oi!
    Uau!! Muito forte e arrebatadora a estória!
    Confesso que leio dramas, mas não sou muito chegada à eles. Fico extremamente ansiosa com estórias que tragam todas essas temáticas das quais você citou em sua resenha. Acho que não leria não.

    PS: Voc~e escreve maravilhosamente bem!

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  5. Olá,

    Não tinha conhecimento dessa obra, mas depois dessa resenha mega empolgada (chega deu pra sentir o quanto hahaha), fiquei bem curiosa e querendo pra ontem ler esse livro. A premissa é muito interessante, e achei legal a autora colocar uma pessoa com depressão como má, pois nem todos sabem que uma forma de depressão é a raiva. Dica anotadissima! Adoro capas em tons de azuis *----*

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  6. Olá!
    Acredito que livros desse estilo precisam ser leves e rápidos mesmo, para ficar uma coisa mais gostosa de se ler. Pela sua resenha, também não entendi o porquê de ser considerado um romance, porque realmente não tem nada a ver com um. Mas adorei a sua resenha e fiquei bem curiosa para realizar essa leitura.
    Beijos.

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  7. Oi, Dryh

    Não conhecia o livro. Sabe que a protagonista me.lembrou um pouco a Samantha de Antes Que Eu Vá? E isso não é uma boa coisa! Hahahaha
    Eu não curto muito livros que falam sobre suicídio e tal, então por isso eu acho que não leria. Mas nunca digo nunca.

    Beijos

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  8. Oie! Tudo bem?

    Amei demais a proposta desse livro! Não conhecia a obra, mas é o tipo de livro que devora em horas de tanto que gosto do gênero! Com certeza vou adicionar na minha lista de desejados!

    Bjss

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  9. Oii!!
    Não conhecia esse livro ainda. É o tipo de história que me atrai. Gostei muito da sua resenha, conseguiu despertar minha atenção e fiquei bem curiosa para saber como foi essa tentativa de suicídio ou acidente como todos pensam. Já quero ler para saber se a Liz sobrevive ou não. Com certeza, o pai dela deveria ser muito importante para ela, e geralmente se a pessoa não tem outra pessoa para ajudar a superar toda a tristeza, fica muito dificil a pessoa sair dessa sozinha.
    Beijos

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  10. Oi Dryh, como está?
    Primeiramente, que bela resenha, moça! Segundo, adorei a sinopse do livro e pelas tuas palavras, pode-se esperar muita intensidade no desenvolvimento da trama, coisa que eu realmente gosto em livros.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://rillismo.blogspot.com

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  11. Olá!

    Realmente adorei esse livro, tanto a capa quanto a sinopse e sua resenha! É o tipo de história que sempre me chama a atenção, irei procura-lo para ler o mais breve possível!

    Parabéns, sua resenha está incrível, desperta uma certa vontade em quem a lê!

    Nicoli Alexandre - As Meninas Que Leem Livros.

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  12. Olá,
    De vez em quando também adoro fazer leituras mais densas e que abordem temas mais complexos e polêmicos.
    Achei a premissa bem interessante e creio que realmente não deve ser fácil gostar da Liz. E pelo que entendi com a resenha, também tenho que concordar que é estranho o livro ser classificado como romance e não drama, mas fazer o que né?!
    Adorei a resenha, desconhecia a obra e já adicionei na lista de desejados.

    LEITURA DESCONTROLADA

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