Eu assisti: Entre Irmãs

O livro Entre Irmãs (publicado originalmente como A costureira e o cangaceiro) foi resenhado há poucos dias aqui no blog, e assim que terminei de lê-lo, fui procurar o filme adaptado que saiu ano passado, e que foi dividido em quatro capítulos quando passou na rede Globo. Achei os capítulos disponíveis no youtube (o que me deixou muito feliz) e tratei de vê-los um atrás do outro o mais rápido o possível. Hoje vim falar um pouco sobre eles :)


A primeira coisa que chama a atenção é o elenco: Marjorie Estiano e Nanda Costa são protagonistas do romance de Frances de Pontes Peebles, interpretando as irmãs Emília e Luzia (respectivamente). Eu não sou de assistir novelas, aliás, já faz anos que não acompanho nenhuma, mas sempre gostei bastante das atrizes citadas acima, e como eu tenho uma quedinha por histórias sobre cangaço desde Cordel Encantado, e como tinha amado o livro, fiquei doidinha para ver como a adaptação havia se saído. Apesar de ter algumas mudanças, me conquistou.
Vou falar resumidamente sobre a história antes de pontuar meus pontos favoritos (e negativos).

“Uma boa costureira tem de ser corajosa. ”

As irmãs Emília e Luzia foram criadas por uma tia (Sofia) e cresceram na cidade de Taquaritinga do Norte, no interior de Pernambuco, mas eram muito diferentes. Emília sonhava em encontrar um príncipe encantado que a levaria para a capital, ou até mesmo para São Paulo, e se vestia e agia de maneira muito mais moderna do que todas as outras garotas da cidade. Já Luzia havia sofrido um acidente quando criança, o que a tornara aleijada e, consequentemente, indigna de ser uma esposa. Sendo assim, ela sabia que iria morrer no mesmo lugar onde nascera. A vida das irmãs muda completamente quando um grupo de cangaceiros, liderados pelo famoso Carcará, chega na cidade e exige roupas novas.


Como eram costureiras do coronel - dono daquelas terras -, elas foram designadas, junto com tia Sofia, a fazerem as roupas para os tais cangaceiros, sob a mira de armas e temendo a morte. Mas Luzia já havia encontrado o Carcará antes, quando ele a vira libertando pássaros e a deixara ir, mesmo tendo prometido que mataria a pessoa que estava, aparentemente, roubando os pássaros da região. Impressionado com a garota ele decide levá-la com seu bando, e como Luzia sabia como seria seu futuro se ficasse (a irmã iria embora, a tia morreria e ela ficaria sozinha, lutando para sobreviver), ela acaba indo.


Tempos depois, Luzia está se adaptando à vida no cangaço, em meio à seca da caatinga, e Emília mora em Recife com seu marido (com quem, no livro, ela só se casara por ser sua única chance de sair da cidade, mas que no filme, sente afeição por). A adaptação cortou alguns acontecimentos bem importantes, como a maneira como Emília encontra sua independência e também suas atividades sufragistas. E outras cenas foram modificadas, como o final (do livro) e os ataques dos cangaceiros à cidades.

Claro que muitas dessas cenas continham muita violência, e esse talvez tenha sido o motivo de terem sido modificadas ou deletadas da história, então até dá para entender. E como o filme é uma adaptação, é de se imaginar que nem tudo será parecido. Contudo, uma coisa que eu gostei bastante no filme (que no livro não aparece tanto), é o amor e carinho que as irmãs sentem uma pela outra. No livro o que aparece mais é o sentimento de inveja que nutrem (Emília inveja a liberdade e a coragem de Luzia, que inveja a beleza e modernidade da irmã) uma pela outra, e elas parecem mais conectadas nas telonas do que nas páginas do livro, o que foi um grande ponto positivo, pois deixou o final ainda mais emocionante.


As questões políticas ficaram um pouco como pano de fundo, mas ainda assim são importantes para o desenrolar da história, Vargas em especial. Também vemos um pouco dos movimentos feministas da época e um foco maior na questão da homossexualidade, que é trazida em dobro na adaptação, outra coisa da qual eu gostei bastante. É difícil dizer qual dos dois (livro ou filme) me encantou mais, eu diria que cada um o fez à sua maneira, mas a gente sempre acaba tendo um carinho maior pelo livro, né? Ao menos comigo foi assim. Talvez seja porque foi como eu conheci a história, ou por trazer mais descrições e fazer com que eu me sentisse mais próxima das personagens, mas ouso dizer que o livro ocupa um lugarzinho maior em meu coração.

Essa é, sem dúvidas, uma história que todos deveriam conhecer, seja através do filme ou do livro. Além de trazer a história de duas irmãs separadas pela vida, traz também um pouco da história do nosso país, esquecida por muitos. Os cangaceiros existiram, e os principais NESSA história - Carcará e a Costureira, como Luzia passa a ser conhecida - foram inspirados nos grandes cangaceiros do nosso Nordeste, dentre eles Lampião e Maria Bonita. A maneira como morreram, inclusive, tem semelhança com o que aconteceu no livro, além de terem ficado conhecidos no país (e também no mundo) todo por seus ataques. São histórias que eu conheço bem pouco, mas como mencionei lá em cima, tenho curiosidade de saber mais desde a novela Cordel Encantado, e mais ainda agora que li e vi Entre Irmãs.



Deve ter ficado claro, mas vou reforçar ainda assim: essa é uma das melhores e mais incríveis histórias que eu já conheci, e a recomendo muito para todo mundo! Vocês vão se impressionar com as personagens e também com os atores e atrizes que as interpretaram - principalmente Marjorie e Nanda, que deram um show e tanto -, e nunca vão esquecer Emília e Luzia. Mencionei lá em cima que o título oficial do livro era A costureira e o cangaceiro, mas foi mudado para Entre irmãs por conta do filme, e pessoalmente, prefiro o nome novo, afinal, a história é sobre as duas irmãs, e Carcará (felizmente ou infelizmente) não é tão importante quanto Emília e Luzia, suas descobertas, conquistas e lutas. É a história de duas irmãs, duas mulheres fortes e determinadas, e sua sobrevivência longe da outra, e é simplesmente incrível!

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