Longe de casa

Oiee pessoas \0/

Ai que vergonha! Sumimos e o blog ficou abandonado *-* A justificativa é que estamos todos atolados com a faculdade e o blog, que antes era minha prioridade em praticamente tudo, agora já não é mais. É claro que vamos continuar postando aqui, lendo e resenhando livros incríveis (como esse aqui), mas não com a mesma frequência de antes ♥


Título: Longe de casa
Autora: Malala Yousafzai
Editora: Seguinte (cortesia)
Páginas: 222
Edição: 1
Lançamento: 2019
Sinopse: Neste livro, a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz conta sua história de migração e dá voz a garotas que estão entre os milhões de refugiados pelo mundo.
Ao longo de sua jornada, a paquistanesa Malala Yousafzai visitou uma série de campos de refugiados, o que a levou a pensar sobre sua própria condição de migrante — primeiro dentro de seu país, ainda quando criança, e depois como ativista internacional, livre para viajar para qualquer canto do mundo, exceto sua terra natal.
Em Longe de casa, que é ao mesmo tempo um livro de memórias e uma narrativa coletiva, Malala explora sua própria trajetória de vida e apresenta as histórias de nove garotas de várias partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina, que tiveram que deixar para trás sua comunidade, seus parentes e o único lar que conheciam.
Numa época de crises migratórias, guerras e disputas por fronteiras, Malala nos lembra que os 68,5 milhões de deslocados no mundo são mais do que uma estatística — cada um deles é uma pessoa com suas próprias vivências, sonhos e esperanças.

Resenha

Tudo o que sei é que minha família fazia parte do fluxo constante de refugiados deixando o país em busca de segurança. Para sobreviver, tivemos que partir. – página 153

Milhões de pessoas são obrigadas, todos os anos, a fugirem de seus países por conta de governos ditadores, milícias, guerras civis e violência justificada pelo preconceito. Milhares de pessoas fazem travessias perigosas em busca da liberdade ou, pelo menos, uma vida melhor e mais digna. Milhares de pessoas morrem sonhando com a paz, com um cobertor quente e uma vida melhor. Neste livro, acompanhamos as histórias de Zaynab, Sabreen, Muzoon, Najla, María, Analisa, Marie Claire, Ajida e Farah, meninas de diferentes nacionalidades que, assim como Malala, tiveram que deixar seus países para sobreviver.

São histórias únicas e diferentes que possuem alguns aspectos em comum; algumas dessas meninas fugiram porque seus países estavam em guerra, ou liquidavam os direitos das mulheres, ou sofriam preconceito religioso ou étnico. Todas elas perderam muito, todas elas viram ou sofreram algum tipo de violência, todas elas tiveram que deixar para trás não apenas suas casas, mas também as vidas que conheciam; todas elas tiveram que se adaptar e se encaixar num país novo onde, muitas vezes, sofriam preconceito.

Como isso pode ter acontecido com minha família e com toda uma nação? – página 198

Que Malala é uma inspiração para milhões de pessoas no mundo todo não é novidade; ela lutou para defender os direitos de educação de meninas mesmo sob a mira de armas, e isso não é apenas incrível, como também é inspirador. Mas mais inspirador ainda é saber que existem mais Malalas por aí, mais meninas e mulheres lutando não apenas por seus direitos, mas pelos direitos de outras. Neste livro temos meninas assim, que levantaram suas vozes e falaram por aquelas que não podiam falar, e melhor ainda: temos meninas que se tornaram mulheres empoderadas que agora estão na faculdade, e planejam utilizar suas formações para melhorar o mundo.

Ainda estou lutando para descobrir o que fazer pelo país onde nasci. Embora às vezes sinta que meu país desistiu de mim, nunca desisti dele. – página 203

Longe de casa é um livro que mexe com o leitor, e não é para menos: as histórias são tão tristes que parecem surreais, eu tinha que me lembrar a todo momento de que isso realmente aconteceu, de que isso acontece todos os dias, de que pessoas no mundo todo sofrem violência por causa disso ou daquilo, de que são obrigadas a fugir porque até mesmo a morte parece melhor do que a situação em que vivem. É um livro que nos faz querer FAZER MAIS pelo mundo, é um livro que nos inspira a querer SER MAIS; mais bondosos, mais humildes, mais compassivos, melhores.

Então, quando sonho com minha casa, sonho em pegar manga direto do pé. Sonho com tranquilidade e grama. Sonho com paz. E ninguém pode tirar isso de mim. – página 127

É difícil não indicar esse livro para todo mundo; até eu que não gosto muito de ler biografias me apaixonei, porque esse não é necessariamente um livro para entreter. É um livro que abre nossos olhos para os horrores do mundo, mas que também nos faz ter esperança de que um dia tudo isso vai passar, de que um dia, mesmo que pareça impossível, o mundo vai conviver em paz; afinal, não é nosso dever ajudar a fazer do lugar em que vivemos melhor? Devemos, apesar dos obstáculos e dificuldades, nos manter firmes e lutar por aquilo que acreditamos, e usar nossas vozes para falar não só por nós, mas por todos aqueles que foram calados, aqueles que foram ou estão longe de casa.

Eu estava machucada, sentia fortes dores de cabeça e tinha perdido a audição de um ouvido e os movimentos do lado esquerdo do rosto. Fiquei confinada a uma cama de hospital. Estava sozinha em uma cidade estrangeira com médicos que pareciam me conhecer, mas que eu mesma não conhecia. De novo, estava longe de casa. Dessa vez, ligada a máquinas que ajudavam a me manter viva. Ainda assim, não fui derrubada. – página 45


3 comentários

  1. Oii, tudo bem?

    Não tinha ficado sabendo sobre esse novo livro dela, mas com certeza vou comprar, eu a admiro muito. Li o "Eu Sou Malala" e assim como você, tinha que ficar me lembrando o tempo todo de que essas coisas descritas realmente acontecem todos os dias a muitas pessoas.
    Obrigada por compartilhar!!

    Beijinhos!!

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  2. Oi, Driely!
    Eu estou louca para comprar esse livro. Li, acho que ano passado, a biografia da Malala e fiquei encantada pela luta dela, desde pequena e por tudo que ela passou, e mesmo assim, não parou em nenhum momento.
    Achei muito legal e importante a Malala trazer as histórias dessas outras meninas que passaram por diversas dificuldades, por diversas questões e que mesmo assim não pararam, mesmo com o medo.
    Ele me lembra um outro livro que li em 2017, Vozes Roubadas, que trazia diários de várias crianças que vivenciaram guerras.
    Esses livros trazem esperança e uma vontade de lutar pelos nossos direitos, que é encantador.
    Sua resenha está maravilhosa. Parabéns!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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  3. Parece uma leitura realmente delicada, e estou louca para ler. Não li nada da autora ainda, e sinto que preciso mudar isso. Amei sua resenha, sei que vou gostar muito da obra. ♥
    beijos

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